apenas uma leve linha
me separa do lado negro
do lado do absurdo
do lado da inexistência de sentido
da ruptura
do fracasso
da loucura
da total insensibilidade
apenas uma linha
me segura à aparente
à aparente
à aparente
à aparente normalidade
"Nada do que está escrito no papel vale o papel em que está escrito"
Depois de ter referido que não gostava muito o último álbum dos U2 e de um amigo meu ter estranhado esta minha ideia, eis que os U2 vêm a Portugal. Ai está a oportunidade que referi que não perdiria e que contaria rever "velhos amigos". O concerto, ainda em parte incerta, marcado para o próximo dia 14 de Agosto, vai custar no mínimo, 54€. Um concerto que fecha a tour europeia exige que não se perca. Resta-me apenas poupar dinheiro e comprar antes que se esgotem e esperar encontrar lá os meus amigos, aqueles com que saltei sem parar, na Pop Mart Tour.

Uma das minhas escolhas para o melhor álbum de 2004. Vêm a Portugal no próximo mês de Março, dia 10, e na primeira parte vai estar Rufus Wainright. Penso que são razões suficientes para pensar seriamente em ir. Até lá vou continuar a ouvir e a descobrir possíveis singles no álbum, "Hopes and Fears". Um exercício que gosto de fazer!

O tempo é, apesar de tudo, imprevisível. Mas parece que pode ser estudado, segundo padrões específicos e altamente complexos. Temos apesar de tudo a metereologia, que nos permite, com algum erro, ter previsões que ajudam a orientar e programar muitas das actividades do Homem.
Continuamos a usar e abusar da natureza, de forma mais ou menos pacifica, de forma mais ou menos consentida, Enquanto andarmos por cá a coisa está bem, o futuro é longínquo, e o importante é o hoje, as nossas necessidades satisfeitas. Continua-se a assistir a atentados sucessivos contra o bem essencial, a natureza, e isso não é realmente preocupante, andamos por cá.
Tudo se pode alterar em breves momentos, tudo pode deixar de fazer sentido e nós pensamos no passado? Talvez, mas o que é importante é o agora. O amanhã...outros pensarão.

Quando tudo parece normal, quando se existe para além do corpo, quando se fazem coisas porque se tem um corpo e uma mente que o acompanha, quando tudo continua a correr e se fica parado a olhar, quando se deseja crescer e o espaço é demasiado pequeno e atrofiante, quando tudo gira sem sentido e as palavras e os actos acompanham o não sentido, quando o desespero transborda o riso e o choro e a apatia lidera o humor...tudo termina num pequeno acto, de loucura ou consciência, fulminante.
Poder em qualquer momento viajar no tempo para reparar algo que sabemos que fizemos mal é um sonho. Mas quantas vezes é que já tivemos vontade de o fazer? Porque é que o queriamos fazer? Que consequências isso poderia trazer? Será que tudo ficava, realmente, melhor? E depois como seria...
Entrar no mundo do Butterfly Effect é uma descoberta. O filme, sustentado pela Teoria do Caos permite fazer uma viagem que é simplesmente fantástica, sem nunca adivinhar o que vem a seguir.

A história de um rapazinho que queria ser bailarino e a sua luta para atingir o seu sonho, fazem-me pensar que a realidade, muitas vezes, é qualquer coisa como isto. O que é preciso é descobrir esse sonho e lutar por ele, para isso também é preciso ter coragem e muita força de vontade. A oportunidade também é importante assim como ter pessoas que acreditam em nós.
no presente momento escapa-me o meu respirar
ele transborda sem consentimento
e invade o mundo, inerte
é mais pesado que o meu ser
representa mais de mim que eu dele
porquê?
momento
Ainda na mesma entrevista o filósofo avança com um novo conceito, "o não acontecimento" Este conceito refere-se a qualquer situação que por não ter qualquer efeito na nossa vida, por não se inscrever nela, por não a transformar, por não a influenciar, regista-se como um "não acontecimento", é como se efectivamente não acontecesse.
Interessante...
Na revista do Público, "Pública" do domingo passado, vem uma entrevista a um filósofo português, José Gil, que segundo a "Nouvel Observateur" é um dos 25 grandes pensadores de todo o mundo, e que tem esta frase:
" Em Portugal a inveja não é um sentimento, é um sistema"
Será que somos mesmo assim? Pelo que tenho observado não será uma observação totalmente descabida, mesmo nada.
Lembro-me do livro "Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos" e de como achava aquele título estranho, não o entendia. Sempre tive a maior curiosidade em lê-lo, mas foi algo que ainda não conteceu, também porque pensava que falava das nuvens e das fantásticas viagens que elas nos proporcionam.
Depois vieram as aulas de Geografia e com elas novos conhecimentos sobre a matéria, nuvens. Sem dúvida que ganhavam uma dimensão mais fantástica principalmente quando fiquei a saber os nomes de parte delas, que hoje tenho pena de ter esquecido.
A primeira viagem de avião proporcionou uma aproximação nunca vista e uma perspectiva única. Vi a cabeça das nuvens!!!
Agora sempre que olho para elas lembro-me do livro de Alves Redol, da Geografia e das minhas viagens por mundos e castelos fantásticos!
Continuam a exercer algum fascínio e de vez enquando lá me encontro junto delas.