Depois de andar a ver quais tinham sido os últimos posts deparei-me com o post do ENE COISAS e sinceramente não fiquei muito satisfeito. Claro que fico contente por ver que a comunidade está a crescer e que dois dos seus principais dinamizadores se uniram para escrever um livro, mas o que não me deixa muito satisfeito é o facto de o referido lançamento só ter sido pensado para Lisboa. Não sei quais as razões dessa opção ou se os mesmos tentaram também outro local, mas podiam ter pensado na descentralização do evento, e porque não o norte, o Porto. Não que seja da cidade do Porto, mas calculo, e essas estatísticas o Paulo deve ter acesso, que existam também bastantes da zona norte do país.
Fica então o reparo e a ideia, pois por impossibilidade não me é possível ir a Lisboa participar do lançamento do referido livro. Fico, contudo, à espera de poder brevemente ter acesso a um exemplar, visto não saber também se o livro vai estar disponível nas livrarias ou superficies comerciais.
Não quero pois pensar que a comunidade de arrisca a ficar centralizada num ponto e os outros sejam uns meros seguidores e espectadores. Mas o bom senso impera sempre e calculo, se podessem, os autores iriam por esse país fora promover o livro.!
E se Deus fosse um de nós?
Não, não tem nada a ver com o último filme do Jim Carrey, foi umas das questões que ouvi da boca de um dos novos Cromos da TSF e fez-me pensar.
Se realmente um de nós assumi-se todas as acções de Deus (para os crentes esta questão é pertinente) como é que seria?
Esta manhã acordei e mais uma vez ia tomar banho de água quente, mas tal não foi possível. O esquentador não arranca e a água continua a correr, fria. Já falei com o senhorio para ele ver a situação, mas até agora nada. É complicado assim, pois a água quente logo pela manhã parece que revitaliza, que carrega baterias para o resto do dia de outra forma é um balde de água fria.
Fico a aguardar e nos entretantos vou insatisfeito pois adoro ficar uns longos minutos a sentir a água quente.
- Amas-me?
- Porque é que perguntas?
- Diz-me amas-me? Di-lo sinceramente.
- O que é que se passa, o que te deu?
- Porra pá, responde à pergunta. Ou sim ou não.
- Amo, claro que sim, tu sabe-lo. Porquê? Tu amas-me?
- Mude-mos de assunto.
- Mudar de assunto, porquê? Responde-me agora ou não sabes?
- Não sei o quê?
- Se me amas. Não sejas tolo. Diz, sim ou não
- Lá estás tu.
- Vá responde, não custa nada.
- O que é que achas?
- O que interessa o que acho? Responde, mas é, que já não estou a gostar. Vá lá amor, responde.
...
Saloma
Grotesca nos modos
Peito cheio e largo
Pele vermelha do vinho
Baixa como um cepo de oliveira
Enérgica como um garoto
Cheia de memórias
Cheia de saudades
Ramalho
Indivíduo careca
Com idade para ser avô
Saltava como um garoto
Quando o verde da esperança lhe dava alegria
O coração esse ainda aguentava
Mas já falhava em momentos chave,
Mas a vida continua, dizia
E cheio de orgulho
Exibia as fotografias dos seus netos
Com os seus filhos lá longe
Estava sozinho
E assim passava os dais
Quebrado pela alegria da esperança.
E o Rómulo
Senhor entrado com o tempo
Apreciador de um bom prato
Regado de boa pinga
Passava as tardes no jardim
A jogar sueca e malha
A reforma ia na doença
Malvadas cataratas
Temeu-se o pior, mas resolveu-se
Sozinho no mundo
Com o trabalho dos filhos malditos
Vivia momentos de angústia
Já não tinha força para mais
Nem alegria dos netos
Chamo-lhe avô
As rugas dão-lhe esse poder
Óptimo contador de histórias
Sem ouvintes sem tempo
Até quando o jardim e as cataratas?
Armanda
Galinha acrobática
Cheia de fome e peste
Andava à coca
Com ranho no nariz
Sem tusto no bolso
Mas com bolsa recheada
Para o serviço no quintal da Zelinda, mulher do Aníbal
Sacana da mulher
Na Segurança Social
Já lhe sabiam o nome
Era amiga dos amigos
Prestadeira, calhandreira
Não era má peça,
Faziam-na, coitada!!!
O Zé Manco
Indivíduo direito
Senhor de papel
Com carro à condição
Exibia-se às sextas
Junto do café do Sousa
Com um fato caro
E cabelo a preceito
Era cobiçado pelas madames
Que não lhe conheciam a peça
Dizia-se ter filhos sem conta
Mas ninguém lhos conhecia
Homem sem medo
Ia a todas sem receio
Sem mulher em casa
Comia fora, no Aníbal do Pimpolho
Era impecável diziam
Altruísta e amigo dos pobres.
o que há de sagrado em ti?
Nada?
Sim há a alma
E o teu corpo é a ideia de ti mesmo.
o undom tseá ao ontcrioár
edpe-se ugerra me zev ed azp
atam-se me zev ed es rama
uacsau-se me zev ed es ptrogero
rudcilariza-se o rafco
e prteoeg-se o irco
ád-se omfe e ãon amlentio
...
o undom tseá ao ontcriár
ãno é lopes etus lhoso
men lopes eusm
men lape onssa cgiuerae
o undom tseá ao ontcriár
e meramos laemrgente omc lee
lope oasbr ad ragça od etr
o undom tseá ao ontcriár
e omoss cpazase ed o ljgaru
mes ons ljuargmos
e ova-mos omc as recos
pro resem fidametenvelin lbesa
o undom tseá ao ontcriár
e a amlofaad é ãot cfortálve
e a nitoe ãot onssa agmia...
Recordo-me que há um tempo atrás deparei-me com um provérbio africano, em que dizia que: um segredo é algo partilhado a dois, um terceiro estraga-o.
Logicamente que este conceito é aplicado pressupondo que uma das partes pede segredo, isto é, pede que, o que foi ou é contado, não seja revelado a mais ninguém. Parte-se, assim, do princípio que quando este compromisso é quebrado o segredo deixa-o de o ser automaticamente. É certo que este procedimento não é minimamente correcto e deixa, quase sempre, as suas sequelas.
Mas quando alguém tem uma conversa connosco de forma informal e os pressupostos anteriores não existem, logo depreendemos que não há segredo algum. Assim se contarmos o que nos foi relatado a mais alguém não estamos a quebrar nenhum segredo, logo não devemos ser condenados por delito. O pior é quando uma das partes considera que havia segredo, o que dá desde logo grande confusão.
Então em que é que ficamos? Tudo o que nos contam é segredo e deve ser encarado como tal, devemos nós perceber o que é o segredo, ou ainda o segredo só existe quando alguém nos pede sigilo?
Eram 12h e o tempo estava meio fosco. Um daqueles dias quem nem chovia nem fazia sol, mas mesmo assim o calor era suficiente para percorrer as ruas com as janelas do carro abertas. O pequeno almoço tinha sido tomado, em jeito de corrida, num dos supermercados existentes na cidade, o Intermarché, e tinha sido possível experimentar um daqueles croissantes de chocolates bem fresquinhos acabados de fazer.
A ideia passava por ir almoçar alguma coisa e visitar a feira, que estava a mobilizar multidões, ver as peças de artesanato, estar com os amigos e sair para a estrada. E assim foi. Chegámos para almoçar às 12.38h e já estavam centenas de pessoas sentadas a devorar todos os petiscos das 18(?) tascas presentes. Uma imensidão de gente em actos desesperados para arranjar lugar sentado, embora não sendo esta a hora de maior afluência, partilhavam o espaço com o fumo que teimava em não sair da tenda, mesmo estando esta totalmente aberta. A escolha apresentou-se rápida e conseguimos comer um grelhado misto, aliás era tudo menos grelhado misto. Como manda a regra a comida estava boa bem como a companhia que estava à nossa frente, pessoas simples do campo que faziam ali, provavelmente, a sua excentricidade do mês ou do ano.
Terminámos o almoço e o que estava planeado foi cumprido na intrega, porque nisto não há nada como ter algum tempo para estar com os amigos.
Isto das Tasquinhas é um fenómeno interessante. Começou algures numa dessas feiras gastronómicas e rapidamente de propagou a todo o país, conseguem atrair milhares de pessoas, na que eu estive esperavam-se cerca de cem mil visitantes, e movem milhares de euros. Confesso que sou assíduo naquela feira, não só porque gosto mas também porque considero ser importante contribuir para a implementação de uma tradição, que ao contrário de outras não carece de legalização.
Aproveitei o fim de semana para ir ao cinema e ver o filme que anda na moda. Já conhecia a história, bem como a banda sonora, mas mesmo assim quis ver e devo de confessar que gostei bastante. A história é simples mas muito bem concebida. O amor de um filho pela mãe e a tentativa desesperada de fazê-la feliz, numa cumplicidade com a família, amigos e desconhecidos. A história na sua simplicidade fez-me questionar um ponto, que calculo que já tenha sido tema de debate entre todos; o que é que eu estaria disposto a sacrificar por uma pessoa que eu gosto? Até onde é que eu iria para fazer uma pessoa feliz?
Podem ser perguntas perturbadoras para alguns, para outros certamente já estão respondidas, mas dão sempre que pensar.
Não sei porque razão as pessoas têm tantos problemas quando o cabelo começa a branquear, pessoalmente até acho muito bonito e julgo que quando isso me acontecer não ficarei minimamente preocupado. Mas, como nem toda a gente pensa da mesma maneira, há aquel@s que se sentem mesmo muito mal e resolvem colorar o cabelo. Até aqui tudo bem, mas o que me parece mal, ou pelo menos de fraca criatividade, é que às páginas tantas podemos ver, e esta situação é mais visivel nas mulheres, o cabelo pintado da mesma cor, isto é, todas passam a ser de um louro muito estranho.
A opção é tão discutivel como os gostos mas calculo que existam outras cores que podiam ser também opção, contudo existem aquelas que conseguem ser radicais, apesar da idade em questão, e pintam o cabelo de vermelho, roxo ou de um azul petróleo. Ele há de tudo.
É de estranhar, mesmo assim, esta falta de capacidade em lidar com o envelhecimento, processo inreversível, ou na falta de aceitação das mudanças naturais de um corpo em alteração. A negação, ou não, da imagem, começa também por aqui, em pequenos pormenores como a cor dos cabelos.
Nos últimos tempos tenho verificado que os quiosques têm aumentado a sua oferta em termos de revistas. É espantoso a quantidade de novas (nacionais) que têm aparecido nos últimos tempos e ele há para todos os gostos e para todas as tendências. Pergunto-me, quase sempre, como é que é possível manter uma publicação periódica quando as empresas andam a cortar nos seus orçamentos em termos de publicidade. Realmente é um assombro. Devo admitir que me sinto tentado em abri-las todas para ver a qualidade dos seus textos e fotos, mas tão não é possível senão levar-me-ia rapidamente à falência.
A este boom de revistas está aliado o baixo custo e a alta qualidade de impressão, que quase na totalidade é feito aqui na vizinha Espanha, pois estes apresentam preços que afastam qualquer tipo de concorrência.
Sinto-me tentado em apresentar uma listagem relativa a essas , mas não o farei, calculo que quando terminasse a lista estaria já desactualizada.!
Os relógios assumem-se cada vez mais como um acessório prestigiante para quem o usa, obviamente dependendo da marca e até mesmo de quem o usa, e também como um elemento de inestimável colecção e adoração.
Confesso que os relógios fascinam-me, principalmente quando são grandes, enormes, para colocar na parede, ora o que não sei é se esta adoração está directamente ligada com a minha dificuldade em gerir da melhor forma o meu tempo, contudo essa vontade de olhar para eles leva-me a estar atento às últimas tendências e modas e assim vejo-me obrigado a olhar com alguma regularidade para as fantásticas, ou não, publicidades referentes aos relógios.
Aliás isto é algo que já faço há algum tempo, mas nunca tinha olhado atentamente para os anúncios, isto é, nunca tinha percebido que quase todos eles têm algo em comum (digo quase porque já vi um ou dois anúncios em que isso não acontecia), até um amigo meu me chamar a atenção disso mesmo. Todos os anúncios de relógios têm as mesmas horas marcadas, a ser 22:10h!
É verdade. A filosofia baseia-se na necessidade do publicitário transmitir ao consumidor a sensação de equilíbrio. Se analisarmos com algum cuidado poderemos perceber que a disposição dos ponteiros dá a sensação que estão a aparar algo, isto se olharmos para eles e idealizarmos umas mãos. Agora imaginemos que os ponteiros assumem outra hora, por exemplo 15.40h, para percebermos que a sensação se altera.
A publicidade é realmente uma caixa de surpresas e os relógios também.
Silvio Berlusconi, primeiro ministro italiano, proferiu esta frase que considero (nem sei o que considerar pela tamanha irracionalidade da mesma) ser a frase do ano: "Mussulini foi um líder benigno que nunca matou ninguém".
Ora eu não sei, concretamente, ao que é que ele se estava a referir, se ao facto de Mussulini nunca ter morto ninguém com as próprias mãos ou ao facto de Mussulina nunca ter mandado executar ninguém. Juro que não sei e nem consigo compreender tamanha afirmação, mas talvez isso aconteça pela complexidade da mesma.
Na Visão desta semana vem uma notícia que confesso que me deixou sem respiração e com uma cara de indignação do tamanho deste e de outro mundo. A história é a seguinte: uma senhora que pagou 500 euros a um indivíduo para matar a mãe, mas de forma a que parecesse uma morte natural. Ora o indivíduo recebeu o dinheiro e fez o respectivo serviço. A senhora foi enterrada e a filha ficou com menos 500 euros. Nos entretantos a referida senhora (a requerente do serviço) parece que numa conversa com uma familiar referiu, em jeito de brincadeira, que tinha mandado matar a mãe. A pessoa que ouvir a suposta confissão achou aquilo intrigante e não fez mais nada, dirigiu-se à polícia para relatar o facto. A polícia, muito bem mandada, encaminhou para as autoridades competentes e estas fizeram levantar o corpo. Eis a surpresa: descobriram que a senhora não tinha morrido de morte natural, mas sim por estrangulação. Levantou-se a acusão e agora os dois, requerente e cumpridor, estão a responder perante a justiça. Mas o brutal da história vem a seguir. Quando lhe perguntaram porque o tinha feito a senhora alegou que cometera tal crime por necessitar de espaço em casa, pois a mãe empatava-a muito.
Simples não é? É sim um crime brutal.
Mas agora já sei, quando sentir que alguém me está a importunar faço uns telefonemazitos e contrato alguém por uns 5 euros e aí vai disso.
Simples não é?
O design assume-se cada vez mais como um factor estratégico essencial na vida consumista dos nossos dias e por isso promovem-se uma série de eventos para lembrar isso mesmo: estamos cada vez mais dependentes do design, quer pelo seu lado prático quer pelo seu lado estético e isso até nos traz alguma satisfação e algum estatuto.
Não sou contra o design, antes pelo contário gosto muito de ver uma boa peça de design, mas admito que muitas vezes fico baralhado com o que me é dado a ver e o site do evento é exemplo disso mesmo. Pessoalmente estava à espera de algo mais elaborado, mas atrativo pois então, visto que é isso que os meus olhos gostam de ver, coisas atrativas, com imagem, som e dinâmica, mas onde está isso?
Calculo que os organizadores, pessoas conceituadas na praça, como a Guta Moura Guedes, saibam que a promoção de um evento faz-se com todos os meios disponíveis, sobre todos os formatos, por isso não percebo.
Se calhar este é um daqueles momentos em que me é dado a ver uma criação de design e eu não o compreendo. Meu perdão.
desespera-me o corpo porque me pede descanso
agita-se a alma porque quer expansão
não sei o que fazer neste duelo de forças
Nos dias de hoje parece-nos ser cada vez mais complicado adulterar a realidade, de manipularmos o que se passa à nossa vonta, mas será mesmo assim? Por amor isso parece ser possível, segundo o filme "Adeus, Lenine".
Mas não é concretamente do argumento do filme que quero falar é sim sobre a banda sonora que foi entregue a esse excelente músico, Yann Thiersen. Para aqueles que estiverem interessados em ouvir ou adquirir a obra recomendo que o façam através de importação directa de França, isto porque a banda sonora que está à venda em Portugal não tem todas as faixas do original francês, esse tem mais cinco faixas e apresenta um alinhamento diferente. Não sei o porquê dessa opçao da editora, mas seja como for penso que os audiofilos portugueses saem visivelmente prejudicados com esta política.
Quanto ao filme, que ainda não vi, parece-me que está muito bem cotado na crítica cinéfila, mas não é por isso que o quero ir ver, é pela magia da história, que sem querer me transporta para o Amelie. O mundo com histórias simples, de pessoas simples atrai-me. A ver vamos.
Quando estamos descontraidamente a escrever um texto, que caprichosamente, até nos está a sair de feição e nos esquecemos, por excesso de confiança, de gravar e por um problema qualquer o perdemos como é que ficamos? Eu devo admitir que não aceito essa situação muito facilmente, principalmente quando o problema não é por descuido meu, mas por um mau funcionamento da máquina em que estamos a trabalhar. Isso faz-me pensar que ainda é bom termos caneta e papel e aí podermos explorar toda a nossa vontade. Mas é sempre mais fácil culpar uma máquina...
Não foi com grande espanto que me apercebi das profundas diferenças entre o nosso país e "nuestros hermanos", mas no fundo senti alguma tristeza por sentir que ao longo de todos estes anos temos sido visivelmente enganados e vítimas da sofreguedão descontrolada de uma série de artistas finaceiros.O dinheiro que todos os anos provém da União Europeia, em forma de subsídios, é notoriamente mal investido e quando é bem investido serve logo para tapar todos os males que anteriomente foram feitos, assim julgo que o país não terá muitas mais possibilidades de um desenvolvimento sustentado e integrado (devo admitir até o espanto do nosso 23.º lugar no Relatório do Desenvolvimento Humano), mas há quem não pense assim e continua a dar o benefício da dúvida e com essa dúvida penhore o futuro de todos nós. Mas o que interessa isso!
Para não parecer que falo recorrendo à filosofia política passemos então ao concreto, mas vou fazê-lo recorrendo a um exemplo: depois de desdobrado um mapa de estradas de Portugal/Espanha e depois de uma primeira análise não muito demorada podemos verificar, de imediato numa grande diferença, as ligações entre as principais cidades, quer do interior quer do litoral, são visivelmente pensadas e planeadas e superiores. Todas elas têm a afluir a si auto-estrada e estrada nacional, quando encontramos casos em que uma é um número rídiculo.
Sei que as explicações podem ser mais que muitas, principalmente se vierem de políticos, mas exiete uma de raiz, planificação a médio e longo prazo. Por cá o difícil é quando se tem que planear as coisas, nem que seja a curto prazo, falta-nos mais visão estratégica.
Depois no terreno, i.é quando andamos efectivamente pelas estradas, poderemos verificar uma outra grande diferença, o não pagamento de portagens nas "auto-vias" e a par desta verificamos também que, muitas das estradas nacionais têm e estão em melhores condições que a nossa famosa A1.
São estas, entre muitas entenda-se, diferenças que me deixam apreensivo quanto ao nosso real desenvolvimento. Não quero pensar que nos continuam a atirar areia para os olhos, mas sou obrigado a isso.
Depois de uns dias de ausência, de muitos kilómetros percorridos, de muitas paisagens novas volto para reencontrar tudo aquilo que deixei, umas coisas com agrado outras sem grande saudade. Mas calculo que tudo seja, naturalmente assim.
Entretanto pensei que teria a possibilidade de actualizar o blogue com as notícias frescas dos novos dias, mas tão não foi possível, não que não houvesse espaços para o fazer, simplesmente, porque senti que devia aproveitar todos os momentos para fruir o que sentia que me pertencia por direito. É um sentimento engraçado este.
Agora a vida começa a redesenhar-se, mas tenciono não engrenar na estupidificação da rotina do dia-a-dia, não é saudável nem passa minimamente pelos meus objectivos. Sinto alguma pena quando penso que tudo pode funcionar rigorosamente ao contrário, não por vontade própria, mas por imposição de pessoas alheias. Por isso quando oiço que agora as instituições/organizações se fazem pelas e para as pessoas me dá vontade de rir, a teoria está a uma milha da prática.
Contudo não quero parecer demasiado pessimista, aliás os que me conhecem logo percebem este sentimento passageiro, portanto apraz-me, também, retomar aqui o meu pequeno espaço de fuga para o exterior e com ele dedicar-me a algo mais, ao crescimento.
Ainda não consegui definir o que é que me lembra nem o que me faz sentir, mas é certamente um grupo a acompanhar. Suaves melodias, excelentes arranjo musicais, uma voz de sonho, delicada e surrurrante como na "If There is a Change" ou na "Explode" fazem delicias quando se ouve.
Talvez me recorde Aimee Man ou Portishead...não sei.
Entretanto fui visitar o site, CARDIGANS, e deparei-me com um blog! É verdade o site deles assenta no conceito blog mas, estranhamente, não é actualizado desde 21 de Julho.
É bom depararmo-nos com coisas assim e nos entretantos a minha casa é constantemente invadida pelos Cardigans, bem vindos!
Isso das pessoas andarem para aí a comer a correr tem que terminar e rápido.
São mais que muitas as consequências negativas desse acto, tantas vezes por imposição outras vezes por falta de vontade de calmamente se preparar uma refeição quente, e que ganha cada vez adeptos.
Actualmente as refeições são na sua maioria feitas fora de casa, o que leva a uma enchente das grandes superfícies comerciais e mais especificamente das cadeias de fast-food, deixando os pequenos restaurantes, onde ainda é possível encontar uma boa sopa, às moscas.
Por tudo isso estão a ser completamente desprezados os nossos, bons, hábitos saudáveis de alimentação. Quem não gosta de se sentar a comer carne ou peixe grelhado, sardinha assada, bacalhau (e só da Noruega, sem ser "Pascoal"), umas espetadas, um arrozinho de tamboril, um marisco (e que fome que já tenho!) e acompanhar com um bom vinho branco, tinto, maduro ou verde? E porque não somente água?
Sou fã, e porque tenho a oportunidade de todos os dias ir comer a casa, e pretendo continuar a ser.
...
Entretanto vou poder entregar-me ao ócio. É cativante esta ideia do ócio, até porque dizem que o ócio permite a criação artística, pois o individuo está mais disponível, mais relaxado e mais aberto a novas experiências e sensações. Ora eu sou desse tipo de gente, aberta e sedento, de novas e gratificantes sensações. Por tudo isso anseio poder entregar-me a esse bendito deus sem quaisquer reticências e muito rapidamente.
Segunda-feira parto ao seu encontro e que bom que vai ser, até lá...
É hoje mesmo que começa um dos festivais mais bonitos de Portugal, o Imaginarius em Santa Maria da Feira. Um festival internacional e teatro de rua que vai animar as gentes aqui do norte de 05 a 14 de Setembro.
O ano passado eu tive a oportunidade de presenciar um dos espectáculos mais bonitos da minha vida, algo de excepcional quer pela cor, som e luz quer pela ideia inerente à peça, fenomenal.
Além de toda a beleza das apresentações, que nos chegam de toda a parte do mundo, todos têm oportunidade de participar gratuitamente na festa. Ninguém paga para ver visto que tudo é feito na rua, com as estrelas e a lua a embelezarem ainda mais os recintos.
Eu vou lá estar, porque antes de partir de férias quero levar imagens imaginárias comigo.
Por isso quem tiver a oportunidade, e acreditem que vale mesmo a pena, visitem o IMAGINARIUS.
Quem é que se lembra da série mítica "Verão Azul"? Eu recordo-me muito bem e recordo-me das tardes de verão em que me sentava à frente da televisão a ver as aventuras daqueles rapazes e raparigas que nunca se cansavam em andar de bicicleta. Ainda hoje consigo encontrar-me a cantarolar a música do genérico da série e a imaginar as cenas que me deliciavam.
Naquela altura era criança e por isso adorava ver os miúdos da minha idade a viverem experiências que para mim só ocorriam no meu imagiário. Ocasionalmente oiço um telemóvel com um toque que me leva logo numa viagem até Itália.
Por isso é bom recordar.
Virgílio meu amigo
não me ouves
mas és meu amigo.
que dom te deram
e porque se esqueceram de mim?
que prazer tinhas,
que pensamento de acompanhava,
que maravilha te iluminava,
que paz te preenchia,
que inquietação te prendia
às folhas de papel que tu tão bem ilustravas.
serias génio na tua humildade
ou humilde na tua genialidade?
e a tua vida como foi ela?
Bela, crua ou insatisfeita?
A nossa existência fascinava-te
e tu dormias com ela, sempre viva, admirável.
querias responder para te achares
e narravas os teus passos
em jeito de ficção, realidade e perplexidade.
é bom ter-te como amigo,
passas a fronteira do desaparecido
para viveres em harmonia com o sujeito,
é belo o teu ritmo e cadência.
também tu ofereces novos mundos ao mundo,
é esse o papel de um homem
não ser um número, mas ser possuidor de um nome
respiro e vivo/ morrer é ficar ausente/ perder o tempo do futuro
conhecermo-nos a nós próprios
é tão difícil como saber
as estrelas que há no céu,
estas são infinitas,
nós somos imprevisíveis.
por vezes questiono-me
do significado de algumas palavras
e o porquê da sua existência.
mas chego sempre à mesma conclusão:
as que existem ainda são poucas
para expressar-mos
tudo aquilo que queremos
por vezes
faltam-no as palavras
e o silêncio
invade e envolve
deixando-nos tantas vezes
entregues a nós mesmos
e...
algumas deliciosamente acompanhados
agora que escrevo
e que a tinta
se une com o papel,
consigo compreender
e ao mesmo tempo questionar-me,
se o que realmente queremos
é encontrar-mos a nossa tinta
ou o nosso papel
Os dias vão aparecendo no calendário por ordem decrescente e eu vislumbro, cada vez mais rápido e cada vez mais perto, as férias. Os dias agora parecem mais longos, menos breves, mais enfadonhos, mais irritantes, menos bonitos, mas julgo que é empre assim quando os dias de férias se aproximam de nós e começam a acarinhar o nosso espírito.
Mas há algo de estranho em todo este processo que é, excatamente, o período real das férias. Estranhamente os dias de férias acabam sempre por ser curtos e ficamos no final com a sensação que podiam ser bem mais, e que lhes preenchiamos as 24 horas de uma outra forma.
Estou mesmo assim a olhar ansiosamente para o calendário, estou cansado e exausto e aos poucos e poucos a minha tolerância vai-se desvanecendo e correndo para o vazio. Não pode ser assim, primeiro e antes de qualquer objectivo deste estar a nossa capacidade de descernimento.
Os dias esses aproximam-se rapidamente do fim...
o que é que nos faz estar acordado até altas horas da noite?
Descobri há uns tempos atrás, por intermédio de uma conversa com uns amigos, a exitência de uma cadeia de lojas chamada Ikea destinada, essencialmente, à decoração de lares, a preços relativamente baixos com produtos de relativa qualidade.
Ora bem, pesquisei na abençoada internet informações sobre esta loja e descobri que existe uma em Madrid e que segundo consta aquilo é um verdadeiro paraíso de utilidades para o lar e afins. A investigação levou-me mais longe e descobri, também, que vão abrir em Portugal duas destas lojas, a primeira em Lisboa (lá para Março) que aparece como a maior da Pesínsula Ibérica e que vai criar 400 novos postos de trabalho e a do Porto que vai abrir lá mais para o final do ano de 2004.
Tou cheio de vontade de ir até Madrid, visto que Março ainda se afigura como uma data distante, para ver se encontro os devidos objectos para os devidos lugares e utilizações.
Para muitos esta palavra é nova bem como o estilo de música que representa. Eu pessoalmente nunca tinha ouvido falar mas passei a conhecer, e mais uma vez, pelo DNMais deste sábado.
O estilo de música parece-me simples de perceber, pop misturado "com uma perdição em voragem eléctrica" e o conceito é no minimo curioso: "os músicos ocupados com vários pedais para a divagação sónica e/ou imersos na barreira sonora criada, os músicos, estáticos em palco, mantinham sempre a cabeça baixa. 'Fixam os sapatos', disse alguém. 'Shoegaze', gritou a imprensa britânica. O nome sobreviveu aos tempos, a ideia de hipnotismo sonoro acentuou-se".
Dos grupos apresentados reconheci dois automaticamente, The Verve e o seu albúm "A Storm in Heaven" e os My Bloody Valentine com "Isn´t anything", os outros só por curiosidade e citando os que me parecem mais relevantes são: Ride com "Nowhere", os Slowdive com "Souvlaki" e os Lush com "Slipt"
Tudo apenas por curiosidade
Tribalistas.
Alguém teve a excelente ideia de se reunir em casa e de convidar dois amigos músicos para fazer umas coisas engraçadas. A coisa correu tão bem que acabaram por gravar um cd. Esse cd, curiosamente, chegou rapidamente aos tops e agora toda gente anda a ouvi-lo.
Eu não resisti ao chamamento, como que a Velha Infância a passar novamente cheia de alegria, e ouvir aqueles sons Lá de Longe, mesmo discordando da tónica que O Amor é Feio.
Carlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo Antunes são excelentes no que fazem. Espero que um dia destes tenham vontade de se reunir outra vez e que descontaridamente produzam mais músicas, cheias de vida.
Foi com alguma resistência que ouvi os Cold Play. Achava que o grupo era mais direccionado para o silly pop, em que as letras e a música eram demasiado easy-listenning, por isso andei bastante tempo a ignorar-lhes o trabalho, até que um dia por curiosidade e por perceber que para se criticar realmente tem que se ouvir, pedi a um conhecido dois cds para gravar.
Os cds estão até hoje em minha casa onde já os ouvi repetidamente, já os levei como companhia em viagem e já fizeram também o som ambiente lá do trabalho. O que dizer?
Não há nada como conhecer primeiro para apreciar depois.
ou paixão é a mesma coisa. É também o nome do último albúm do Rodrigo Leão, o qual tive a oportunidade de ouvir ao vivo em Santa Maria da Feira e devo de confessar que gostei bastante. Já tinha tido a oportunidade de o ver, também ao vivo, mas desta feita no Teatro Gil Vicente em Coimbra, aquando da apresentação do Alma Mater e já na altura fiquei rendido a toda a concepção do concerto. Nos dois foi perfeitamente visivel o tom intimista que ele pretendia dar ao espectáculo e foi, quanto a mim, perfeitamente alcançado. Desta vez, no Europarque, o público aclamou-os e tiverem que vir duas vezes ao palco, e das duas vezes toda a gente se levantou e aplaudiu o que considero ser um dos poucos músicos portugueses que dedicam a sua obra à wordl music ou, por outras leituras, à música moderna.
Oiço com gosto todas as músicas, agora, e estas fazem-me recordar aqueles momentos mágicos de luz e som.
A esperança ainda é a última coisa a perder bem como a amizade é um bem por demais precioso para se desvalorizar.
O Solitário
"É-me tão odioso seguir como guiar.
Obedecer?
Não, nunca, e nunca - governar!
Quem não é terrível para si mesmo não inspirará terros aos outros.
E só o que inspira sabe guiar os outros.
Ora a mim, já me é odioso guiar-me a mim mesmo!
Como os animais silvestres e marinhos,
gosto de me perder por uns tempos,
especular em algum jardim encantador,
enfim, de longe, lembrar-me aos poucos do lar -
para voltar a mim, seduzir-me a mim mesmo"
Frédéric Nietzsche
De vez em quando percorro os jornais que vou acumulando a um canto e recorto aquilo que considero mais significativo e num desses momentos recortei um dos topos de uma página do Diário de Notícias que data de 25 de agosto de 2000. São dois pequenos textos de Nietzche, simples mas ao mesmo tempo cheios de uma profunda reflexão. Não sei se foi por me ter identificado com eles, mas desde então que estão pendurados no meu painel de corticite e hoje decidi transcrevê-los, mesmo que seja uma coisa com a qual eu não concorde muito, mas devido à riqueza dos mesmos não resiti.
"Quem sabe que é profundo procura a clareza: quem quer parecer profundo aos olhos da multidão, procura a obscuridade. Porque a multidão tem por profundo tudo aquilo cujas razões não pode ver: tem tanto medo de se afogar!"
Frédéric Nietzche
Fiquei a saber, entretanto, que abriu em Aveiro uma livraria que é, também, um ponto oficial de troca de livros do bookcrossing e que na mesma cidade, um dia destes, alguém deixou 5 livros na estação de comboios para seren levados, lidos e depois devolvidos ao circuito do espírito do bookcrossing.
Para aqueles que ainda não ouviram falar ainda desta modalidade, simpática e inovadora, de troca de livros recomendo que o façam no site oficial.
Vamos ver se a ideia continua por cá e se pega realmente, pois a leitura universal nunca fez mal a ninguém.
não caibo dentro de mim
sou tanta coisa
sou um som de uma melodia
sou um por do sol
sou uma gota de chuva que se mata no chão e ganha
vida na terra
sou pássaro com asas enormes que me impelem
contra a corrente de um ar tão denso quanto uma
noite cerrada de murmúrios
sou um sol como Luís XIV e a sua grandiosa figura
numa França enfurecida
sou noite
como fantasma como uma porta que se abre numa
casa esquecida num monte de vendavais
sou um momento de loucura
sou um momento de prazer que se propaga como uma
onde de calor num dia de verão quente
sou um sorriso de uma pessoa que se diverte com a
brincadeira de um gato
sou a tristeza de um velho só esquecido por entre
as molduras que ornamentam a sua lareira
sou a distância que trespassa a minha própria
vontade
e gostava de ser uma folha para me escreverem
tudo o que lhes fosse de desejo e assim partilhar
o mais intimo e o mais sagrado
e gostava de ser homem de barro e moldar com as
mãos e cabeça uma peça viva como o corpo de uma
mulher
e gostava de ser o vento
e não ser uma simples aragem que sopra e que se
esquece a seguir.
palavra, perdi-te, onde estás?
Onde estás tu? Diz-me, responde.
Leva-me ao teu encontro, dá-me um sinal, não ouves?
Fala baixinho em sussurro, mas diz-me.
Não te encontro, onde estás?
Ondeeeeeeeeeeee?
Assim não te consigo escrever.
um pequeno deslize
um tom
um aroma
um breve doce que não fica
um sonho infinito
uma sensação de poesia
pele