Escrever pode ser difícil mas ao mesmo tempo dá um prazer que é incomparável. Vírgilio Ferreira escreveu até ao fim e em homenagem póstuma publicaram os seus escritos, últimos por sinal, num livro que se chama "Escrever".
Escrever, é uma palavra que eu gosto e é algo que tento fazer. Escrever, perde-nos no tempo e acha-nos em outros mundos. Escrever é encarar o que somos e mostrar aos outros o que queremos esconder. Escrever é um acto isolado, mas público.
Escrever, só.
O tempo é algo que, estranhamente, nos é tão precioso e em simultâneo pode vestir a capa de um verdadeiro inimigo.
Não vou especular sobre ter tempo ou não para fazer isto ou aquilo, o que muito me apetecia, mas na realidade somos regrados por esse deus e não podemos fazer nada quanto a isso.
Mas hoje, hoje reflecti sobre aqueles que têm a sorte de sairem todos os dias às 17:30h e podem, assim, gerir as suas vidas de acordo com as suas pretensões. Será que os mesmos se questionam sobre essa regalia ou será que por ser um facto aquirido nem sequer pensam nisso.
Hoje, sim hoje, parei e pensei no ritmo neurótico em que, sem querer, ou não!, me encontro, e e ponderei se é um objectivo que me satisfaz.
É verdade, eu também queria sair todos os dias às 17:30h e fazer disso um vício que me permitisse criar, criar ideias e novos objectivos, sempre.
17:30h?
Com alguma frequência (quinzenalmente) faço uma viagem "à minha terra" e inevitavelmente passo por uma série de cidades, vilas, aldeias e lugares deste Portugal. Algumas, devo confessar que são verdadeiras pérolas do vocabulário português e foi exactamente isso que me impeliu a partilhar essa minha visão. Pois bem, na penúltima viagem que fiz apontei todos os nomes que me apareceram e eis o resultado:
Pombal - Venda da Cruz - Almagreira - Meires - Tinto - Bonitos - Redinha - Barrosos - Marco do Sul - Soure - Galiana - Barreiras - Ansião - Degracias - Pombalinho Venda Nova - Tapeus - Casal Cimeiro - Vale de Oliveira - Presa - Relves - Vale Janes - Cadaval - Serrazim - Rebolia - Arrifana - Condeixa - Conímbriga - Orelhudo - Casa Telhada - Cascantes - Vila Nova - Cernache - Antanhol - Moinho do Vento - O Limoeiro - Ceira - Coimbra- Adémia - Eiras - Pedrulha - Fornos - Vilela -Trouxemil - Euparria - Souselas - Barcouço - Pampilhosa - Mealhada - Carqueijo - Canedo - Vimieira - Cantanhede - Vacariça - Luso - Sernadelo - Grada - Alpalhão - Tamengos - Aguim - Curia - Espairo - Vale da Mó - Anadia - Vagos - Mogofores - Malaposta -Sangalhos - Avelãs de Caminho - São João da Azenha - Avelãs de Cima - Aguada de Cima - Oliveira do Barrô - Mourisca - Segodães - Carvalhosa - Pedaçães - Lamas - Valongo - Macinhada - Sevém de Cima - Sevém de Baixo - Paus - Alquerubim - Serenada - Albergaria-a-Velha - Valmaior - Albergaria - Albergaria-a-Nova - Salréu - Fradelos - Mundo Novo - Lojinha - Escusa de Cima - Eiras - Souto da Branca - Nóbrijo - Curval - Pinheiro da Bemposta - Palmaz - Bemposta - Alviães - Figueiredo - Oliveira de Azeméis - Cucujães - São João da Madeira.
nota: durante este "recenseamento" apareceram dois nomes que quero, igualmente, referir, mas que não são nomes de terras!: Bar Cinderela e Motel Príncipe Encantado.
Agora digam que as nossas terras não são capazes de fazer as delícias dos condutores e até mesmo daqueles que gostam de brincar com as palavras. Até o Miguel Esteves Cardoso no seu livro "Os Meus Problemas" constrói uma interessante história com outras tantas terras do nosso Portugal.
A viagem não foi feita sozinho, senão como conseguiria conduzir e escrever ao mesmo tempo?!!!
Ando desde quarta-feira para partilhar um pensamento que me surgiu depois de ter estado nas comemorações de umas Bodas de Prata. Enquanto estava na igreja e depois de ouvir aqueles cânticos de inspiração cristã, percebi que a Igreja Católica está a deixar passar em branco algo que pode ser considerado uma negação à divulgação cultural do nosso país.
É certo que não temos Mosteiros dos Jerónimos, Conventos de Mafra e Carmo, Igrejas de São Roque, ou quaisquer outras mais ou menos conhecidas por todo o país e que reúnam as condições óptimas de acústica ou conforto, mas a avaliar pelo número de igrejas espalhadas, estas seriam uma boa forma de proporcionar aos menos afortunados, oportunidades únicas de lazer e cultura, pois encontra-se mais facilmente uma igreja ou capela do que um pavilhão polivalente.
Esta seria, certamente, uma outra forma de proporcionar serviço público, levar junto das pessoas, que naturalmente procuram estes espaços, quer por identidade quer por tradição de encontro diário ou semanal, espectáculos, palestras, acções de sensibilzação, que normalmente só se promovem e encontram nas cidades.
Não defendo aqui um casamento entre a igreja e a promoção massificada da cultura, acredito sim que esta poderia ter um papel mais activo na formação pessoal (leia-se, cultural) de milhares de pessoas que continuam a ter, unicamente, a estereofonia como companhia.
Lembro-me entretanto que: os Madredeus fizeram algumas das suas primeiras apresentações na Igreja de Madre de Deus (perto de Lisboa) e que inclusivamente (e julgo não estar a cometer lapso) gravaram aí algumas músicas e que vi em Pombal, na minha pré-adolescência um concerto de música clássica, por um quarteto de sopro e cordas, que me proporcionou uma noite fantástica e única, visto ter tido aí a primeira oportunidade de bater palmas dentro de uma igreja!
Não é portanto uma perturbação de raciocínio é sim uma perturbação para raciocinar.
Esta ideia vem de uma ideia, que considero, simplesmente deliciosa do DNA (revista que colecciono compulsivamente) e que me levou a conhecer pessoas que não conheço de lado nenhum, agora não posso evitar de fazer esse pequeno exercício:
gosto do mar, do sol, da água do mar e de sentir a areia sob os meus pés, não gosto de pessoas cínicas, gosto dos sentimentos que a música me tráz, por não os conseguir explicar, gosto de ler o DNA e o Diário de Nótícias, gosto de blogues, não gosto de estar longe dos meus amigos,, gosto de vocês todos, gosto de cabelos compridos e olhos verdes, gosto de pessoas bonitas, não gosto de mentiras , não gosto de sentir que não sei o que me perguntam, não gosto da passividade e do comodismo, gosto de Virgílio Ferreira, Hermann Hesse e Eugénio de Andrade, não gosto de me sentir julgado por pessoas que não me conhecem ou que pensam que me conhecem, gosto de comer de tudo, principalmente bolachas, não gosto de ver animais em jardins zoológicos, gosto de ti, gosto de saber que gostam de mim, não gosto de saber que não gostam de mim, não gosto de me irritar, gosto de estar na cama com a chuva lá fora e não ter que ir trabalhar de manha cedo e lidar com problemas que não são propriamente os meus, gosto daquelas tardes em que o sol teima em desaparecer e parece que o dia nos dá tempo para fazer tudo, inclusivamente de nos esquecermos que o dia acaba, não gosto de roupa desconfortável, gosto dos Sigur Rós, U2, Wim Mertens e Radiohead, não gosto do final das coisas, fazem-me perdido, não, não gosto ...
espera-me lé em baixo,
espera-me ao fundo das escadas
(as escadas que formam um carocol)
e quando eu for a descer recebe-me de braços abertos,
recebe-me como se há muito não me visses,
sorri para mim como se estivesses a ver uma aparição
e abraça-me,
abraça-me como se te estivesses a despedir de mim,
como se eu fosse para longe e só regressasse após muitos anos
e quando me abraçares fala-me doce,
(como o doce que eu adoro)
tão doce que eu não tenha vontade de partir
tão doce como se fosses tu que te estivesses a despedir
e nesse falar olha-me intensamente
tão intensamente que eu me veja dentro de ti,
olha-me demoradamente como quem se apaixona à primeira vista.
espera-me lá em baixo,
hoje, só hoje...
Durante estes últimos dias estive de férias e aproveitei para tratar de todos aqueles assuntos que, normalmente no dia-a-dia, não se tem tempo.Hoje e para comemorar achei por bem ir até à praia e levei atrás de mim uma série de coisas para ler, fruto da falta de tempo no fim de semana. Assim os suplementos do DN e do Público acompanharam-me naquilo que sera um dia bem passado na praia, mas eis que surge um problema. Como é que se consegue estar na praia com aquele sol todo a bater-nos em cima e a ler ao mesmo tempo? Eu estive de barriga para baixo, de lado, do outro lado, de barriga para cima, sentado, sei lá, experimentei todas as posições e nenhuma delas me garantiu uma boa leitura. O vento, a areia arrastada pelo vento, as corridas dos miúdos que faziam saltar mais areia ainda, o calor, enfim...tudo estava a favor da minha leitura.
Acabei por desistir. Achei que a melhor atitude era poisar todas aquelas folhas, deitar-me de barriga para cima e apreciar aquele azul do céu, olhar para algumas gaivotas que se passeavam nos ares e de quando a quando espreitar o mar, que revolto molhava, mesmo assim, os pés de alguns corajosos.
A próxima vez que for para a praia não levo nenhum jornal. Pode ser que tente um livro, não sei.
Mas se existe alguém que consegue cometer essa proeza, diga-me, para eu lhe dar os parabéns.
Estávamos no ano de 1997, mais precisamente no dia 11 de Setembro, quando em Alvalade actuaram os U2. Um concerto magnífico, inserido na digressão mundial que fizeram e que se denominou U2 POP MART TOUR.
Não me recordo do alinhamento do concerto, (recordo-me mais dos amigos que estavam comigo, Hugo e Nuno) mas sei que tocaram alguns dos clássicos que fizeram, e que fazem, o historial desta banda.
A minha vontade levou-me a adquirir o CD e depois ouvi-o vezes sem conta. Neste álbum existe uma música que me tocou particularmente, e que me fez questionar algumas coisas. É uma música que incomoda, e talvez por isso goste tanto dela, é extremamente actual e reflete o que tantas vezes as pessoas questionam e continuam sem saber dar resposta.
A principal questão que fica é: o que é que o homem está a fazer a ele e aos outros?
Esta é, talvez, uma música que pretende despertar as conciências que não estão adormecidas, mas que teimam em fingir que sim. É um grito ao não-sono. Aldous Huxley tinha a Soma, George Orwell tinha a Polícia do Pensamento. Nós, nós o que temos? Nós temos uma conciência, uma capacidade de pensar. Façamos uso dela rapidamente, ou então nem gritando Wake up dead man…
Jesus, Jesus help me
i’m alone in this world
and a fucked up world it is too
tell me, teel me the story
the one about the eternety
and the way it’s all gonna be
WAKE UP DEAD MAN
WAKE UP DEAD MAN
Jesus, I´m waiting here boss
i know you´re looking out for us
but maybe your hands aren´t free
your Father, He made the wordl in seven
he´s in charge of heaven
will you put a word in for me
WAKE UP DEAD MAN
WAKE UP DEAD MAN
listen to your words they’ll tell you wath to do
listen over the rhythm that´s confusing you
listen to the reed in the saxophone
listen over the hum of the radio
listen over sounds of blades in rotation
listen through the traffic and circulation
listen as hope and peace try to rhyme
listen over marching bands playing out their time
WAKE UP DEAD MAN
WAKE UP DEAD MAN
Jesus, were you just around the corner?
did You think to try and warm her?
or are you working on something new?
if there´s an order in all of this disorder
is it like a tape recorder?
can we rewind it just once more
WAKE UP DEAD MAN
WAKE UP DEAD MAN
nota: esta letra contém excertos de “Besrodna Nevesta” escrito por Nikolai Iankov Kaoufmane
Recentemente deparei-me com uma notícia no suplemento de economia do Diário de Notícias que me deixou com um sentimento ambivalente. A notícia era somente isto: "Dono da Virgin compra Ilha". No desenvolvimento podia-se ler que ele comprou a ilha, algures na Austrália, para os seus colaboradores passaram férias, demonstrando assim toda a sua gratidão pela dedicação dos mesmos.
Ora bem, sem dúvida alguma que esta forma de incentivar os colaboradores (não gosto da palavra pró-comunista, trabalhadores) deveria ser amplamente divulgada e posta em prática em Portugal. É certo que não defendo que se comprem ilhas para se passar férias, mas sou de acordo que o incentivo seja dado ao colaborador para que assim a produtividade aumente, mesmo que significativamente. É uma das novas políticas da gestão de recursos humanos, dar condições aos colaboradores de empresas/instituições para que assim continuem ondem estão, se sintam identificados com a entidade e possam aumentar a sua produtividade. Este assunto, contudo carece de uma abordagem mais aprofundada fruto da sua complexidade.
Contudo esta notícia também me impeliu a reflectir na perspectiva oposta. Primeiro, a terra (neste caso uma ilha) continua a ser vendida sem, calculo, se ter qualquer plano de desenvolvimento sustentado, como se fosse um qualquer objecto que se pode trocar, assim. Segundo, o poder económico permite que verdadeiros milionários se transformem em verdadeiros bilonários e por conseguinte verdadeiros trilionários e ....
Deve ser fantástico ter uma ilha para ir passar umas férias, deve ser fantástico trabalhar numa empresa em que os colaboradores recebem incentivos a este nível, deve ser fantástico ser trilionários, mas não posso dizer que deve ser fantástico que tudo ande em volta dos mesmos, porque quando a bonança passar quem ficará com tudo não serão , certamente, os colaboradores...
São muitas as vezes que digo uma palavra e depois penso no seu significado, procurando outras formas de a abordar. É um exercício que me agrada e que me leva a passar para o papel as minhas ideias, frases ou simplesmente a ligação a uma outra palavra.
Aqui fica uma listagem das últimas palavras em que tentei fazer o exercicio referido:
Terra
Um punhado de terra. Uma terra inteira. A terra inteira. Não é nossa, a terra, e é ao mesmo tempo de todos nós. Não lhe conheço o sabor, mas conheço-lhe a textura. É rica, forte e tremendamente frágil. A pequena brisa das asas de um insecto movem-na e mudam-lhe a cara. És tão frágil terra, dá-me vontade de te abraçar.
Angústia
Estou quase a alcançar, mas não, não foi desta vez que a alcancei.
Ciúme
Música
Um mistério que me toca tantas vezes.
Sabor
Tudo o que não se pode sentir.
Calor e Fogo
Antes de te sentir prefiro ver-te. És tão cruel, fogo, és tão real, fogo, és tão inconstante, fogo, és verdadeiro na tua falsidade, fogo, és impiedoso na tua inevitabilidade, fogo, és tão justo na tua destruição, fogo, és exterior a mim, fogo, és fogo.
Cigarro
Miserável, mas necessário, como a vida tantas vezes. Consome-se e consome-nos.
Pele
Arde lentamente colada a ti. É tua, não é de mais ninguém. Não é minha, a tua pele, mas é tão profunda como o meu pensamento.
Tu
Segunda pessoa do singular mas a primeira em tudo para mim.